Instituição de Chapecó consolida modelo de Hospital Dia orientado por dados e encontra na parceria com a Salux uma base para eficiência, decisão, sustentabilidade e expansão de resultados.
Em um cenário no qual a saúde opera sob pressão crescente por eficiência, previsibilidade e sustentabilidade, o Instituto de Olhos Santa Catarina (IOSC) vem consolidando um modelo de gestão que traduz uma mudança mais profunda do setor. A tecnologia deixou de ser suporte e passou a ocupar um papel central na condução da operação.
Esse movimento responde a um contexto financeiro cada vez mais restritivo. Dados do Observatório Anahp de 2025 indicam que a receita líquida real por paciente nos hospitais brasileiros recuou quase 12%, mesmo com os custos operacionais pressionados.
Nesse ambiente, a eficiência deixa de ser uma escolha e passa a ser a única via de sustentabilidade, o que explica por que a tecnologia assume um papel estruturante na gestão hospitalar.
É dentro dessa lógica que a evolução do IOSC ganha sentido. Criado originalmente como um centro especializado em oftalmologia, o instituto evoluiu para um Hospital Dia com múltiplas especialidades, incorporando áreas como alergia, ortopedia, neurologia, cardiologia e gastroenterologia, além de serviços de infusão e diagnóstico avançado. “Estamos falando de um ecossistema que foi se modificando um pouco, como a natureza mesmo, pelas necessidades. A gente foi organizando para fazer as coisas conversarem dentro do IOSC e chegamos a esse modelo”, afirma Leda Sandrin, Diretora do IOSC.

Com o aumento da complexidade, a digitalização deixou de ser uma escolha e passou a ser condição de funcionamento. Hoje, a gestão do centro cirúrgico, o controle de medicamentos, o faturamento e a auditoria dependem diretamente da estruturação de dados e da integração entre processos. “A rede cirúrgica não roda sem tecnologia. Gestão de medicamentos, controle anestésico, qualidade, faturamento… tudo isso não funciona só na mão das pessoas”, diz.
É nesse contexto que a parceria com a Salux Technology se insere. Mais do que a adoção de um sistema, o IOSC passou a operar com uma base tecnológica que permite integrar processos, estruturar dados e ampliar a capacidade de leitura sobre a operação em tempo real.
No modelo de Hospital Dia, em que a eficiência do centro cirúrgico, o giro de salas e o controle de custos são determinantes para a sustentabilidade, essa estrutura passa a ser ainda mais crítica. Na prática, isso viabiliza decisões mais rápidas, maior controle sobre custos, redução de perdas operacionais e maior previsibilidade — elementos essenciais para sustentar margens e potencializar resultados em operações mais enxutas e altamente dependentes de produtividade.
“Se o administrador não tiver dados na mão, não consegue tomar decisão. Hoje você precisa entender o que está acontecendo no dia, na semana, no mês. Qualquer atraso compromete a rentabilidade”, afirma a gestora.
Apesar dos avanços, a evolução digital ainda esbarra em um desafio recorrente no setor: a adesão plena dos profissionais de saúde. A diferença geracional é evidente, com médicos mais jovens mais adaptados ao uso de plataformas digitais, enquanto parte dos profissionais ainda mantém práticas híbridas. “A maior dificuldade ainda é a adesão. Os sistemas foram muito pensados para gestão e nem sempre são totalmente amigáveis para o médico”, observa.
Esse ponto ganha relevância adicional diante de um problema crescente no setor. Em 2025, o Brasil registrou mais de 540 mil afastamentos por transtornos mentais, muitos deles associados ao burnout. Nesse contexto, sistemas pouco intuitivos deixam de ser apenas uma questão operacional e impactam diretamente a produtividade, o bem-estar e a retenção de profissionais. Reduzir o tempo de tela e simplificar a interação com a tecnologia torna-se, portanto, também uma estratégia de cuidado com o corpo clínico.
Ao mesmo tempo, o IOSC já avança para o próximo estágio dessa jornada, com o uso mais intensivo de inteligência artificial como apoio à decisão e à prática clínica. A expectativa é reduzir a carga operacional sobre os médicos e permitir uma atuação mais focada no paciente. “A gente precisa de tecnologia que permita olhar para o paciente, não para a tela. A IA vai ajudar muito nisso”, projeta Leda.
A visão está alinhada ao momento do setor no país. Um estudo da PwC Brasil (2025) mostra que mais de 60% dos hospitais privados já utilizam inteligência artificial de forma integrada à operação, com 58% dos executivos reportando ganhos diretos de eficiência. No IOSC, o objetivo é que essa tecnologia atue na ponta, apoiando o médico e qualificando a tomada de decisão sem aumentar a complexidade da rotina.
Para Leda Sandrin, a transformação digital não é um ponto de chegada, mas um processo contínuo que exige adaptação constante, tanto das instituições quanto dos parceiros tecnológicos. “A gente está em movimento o tempo todo. E quem fornece tecnologia precisa entender isso. As necessidades mudam muito rápido e a solução precisa acompanhar esse movimento. E nisso nós estamos alinhados com a Salux, numa parceria duradoura e de crescimento, afirma.
Ao estruturar sua operação com base em dados e integrar tecnologia à gestão, o IOSC exemplifica um movimento que ganha força no setor. No modelo de Hospital Dia, a combinação entre organização operacional e uma base tecnológica integrada, como a estruturada com a Salux, torna-se determinante para sustentar desempenho e crescimento.
Matéria publicada na Medicina S/A: https://medicinasa.com.br/hospital-iosc-salux/